{"id":1064,"date":"2016-05-10T17:34:30","date_gmt":"2016-05-10T20:34:30","guid":{"rendered":"http:\/\/www.cofecon.org.br\/?p=1064"},"modified":"2016-05-10T17:34:30","modified_gmt":"2016-05-10T20:34:30","slug":"desenvolvimento-e-sustentabilidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=1064","title":{"rendered":"Artigo &#8211; Desenvolvimento e sustentabilidade"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Promover um bom entrosamento entre o olhar econ\u00f4mico (produ\u00e7\u00e3o, consumo e circula\u00e7\u00e3o de bens) e a dimens\u00e3o ambiental (notadamente os servi\u00e7os ecossist\u00eamicos e a disponibilidade limitada de recursos naturais e energ\u00e9ticos) visando diminuir a inquietante correla\u00e7\u00e3o entre crescimento econ\u00f4mico (mais produ\u00e7\u00e3o de mercadorias e servi\u00e7os) e degrada\u00e7\u00e3o do meio ambiente (entropia do mundo natural), certamente \u00e9 o desafio maior que espera por solu\u00e7\u00e3o no desenrolar desse s\u00e9culo XXI.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A import\u00e2ncia desse assunto ganha relev\u00e2ncia \u00edmpar pois, qualquer abordagem que se fa\u00e7a em torno do alcance do desenvolvimento n\u00e3o pode prescindir a quest\u00e3o da sustentabilidade, assim como o inverso, nesse caso, tamb\u00e9m \u00e9 verdadeiro: falar de sustentabilidade requer, antes, que se pense no dinamismo da macroeconomia voltada a atingir crescimento e desenvolvimento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na busca por tentar promover a t\u00e3o \u201csonhada\u201d paz social e econ\u00f4mica, resolvendo primeiramente as necessidades b\u00e1sicas das popula\u00e7\u00f5es mais carentes, a atividade econ\u00f4mica, estabelecida numa fren\u00e9tica mania de produzir al\u00e9m da conta, tem provocado a degrada\u00e7\u00e3o do mundo natural, o que, per si, compromete acintosamente o pr\u00f3prio objetivo \u201csonhado\u201d aqui exposto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por isso a ideia em torno de um desses \u201csonhos\u201d, vale dizer, o desenvolvimento sustent\u00e1vel \u2013 termo consagrado pelo Relat\u00f3rio Brundtland (1987) que, na ess\u00eancia, confere elevado valor \u00e0 sustentabilidade com equil\u00edbrio na pol\u00edtica de crescimento econ\u00f4mico \u2013 vem acompanhado de uma s\u00e9rie de importantes e imprescind\u00edveis medidas que devem ser tomadas pelos pa\u00edses, tais como: i) limita\u00e7\u00e3o do crescimento populacional; ii) garantia de disponibilidade e de acesso aos recursos b\u00e1sicos (\u00e1gua, alimentos, energia) no longo prazo; iii) preserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade e dos ecossistemas; iv) diminui\u00e7\u00e3o do consumo de energia e desenvolvimento de tecnologias com base no uso de fontes energ\u00e9ticas renov\u00e1veis; v) aumento da produ\u00e7\u00e3o industrial nos pa\u00edses n\u00e3o-industrializados com base em tecnologias ecologicamente adaptadas; vi) controle da urbaniza\u00e7\u00e3o desordenada e integra\u00e7\u00e3o entre campo e cidades menores; e, vii) atendimento das necessidades b\u00e1sicas (sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, moradia).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim, se o desenvolvimento \u00e9 uma aspira\u00e7\u00e3o leg\u00edtima e imanente da sociedade, a sustentabilidade, por sua vez, como apropriadamente asseveram Bursztyn &amp; Bursztyn, (&#8230;) \u201cest\u00e1 em sintonia com o princ\u00edpio da perenidade da vida, com a perman\u00eancia das condi\u00e7\u00f5es de vida, com o compromisso em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s futuras gera\u00e7\u00f5es\u201d. (**)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Portanto, as duas aspira\u00e7\u00f5es s\u00e3o indissoci\u00e1veis e, dada a converg\u00eancia em prol da melhoria das condi\u00e7\u00f5es de vida, se apresentam, pois, como fundamentos cruciais para a consolida\u00e7\u00e3o de um modo de vida pautado, sobremaneira, pelo equil\u00edbrio ecol\u00f3gico e pela paz socioecon\u00f4mica, valores t\u00e3o caros aos conturbados dias atuais em que estamos vivendo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por isso, ainda, o desenvolvimento (social, econ\u00f4mico, humano) \u00e9 visto igualmente como uma express\u00e3o indissoci\u00e1vel de bem-estar, capaz de provocar substanciais melhorias no modo de vida das popula\u00e7\u00f5es \u00e0 medida que se identifica com a \u201cqualidade\u201d, diferenciando-se, portanto, e, mais ainda, se afastando da ideia central contida na l\u00f3gica do crescimento, ou seja, da \u201cquantidade\u201d, do expansionismo industrial, do aumento f\u00edsico das economias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De modo an\u00e1logo, a sustentabilidade, uma vez posta em pr\u00e1tica, procura devolver vida \u00e0 Terra, e, como se estivesse no meio de uma guerra, visa sobretudo enfrentar o esgotamento das fontes de mat\u00e9rias-primas, combater a gera\u00e7\u00e3o de res\u00edduos e lutar contra toda e qualquer forma de degrada\u00e7\u00e3o da qualidade de vida, dentre tantos outros impasses ambientais, muitos deles provocados quase que exclusivamente pela dimens\u00e3o econ\u00f4mica do crescimento desmesurado e pelo modo consumista da sociedade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por isso tamb\u00e9m os fundamentos do desenvolvimento e da sustentabilidade, aconchegados na no\u00e7\u00e3o central de economia verde, devem andar de m\u00e3os dadas para ocupar o lugar de uma economia linear (que extrai, consome, descarta, polui) e que, por isso, se apropria dos recursos naturais de forma predat\u00f3ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para tanto, urge abandonar o eixo da economia tradicional e, no lugar, reafirmar pol\u00edticas p\u00fablicas que coloquem as pessoas em primeiro plano; afinal, o desenvolvimento e a sustentabilidade s\u00e3o voltados para elas (as pessoas), enfatizando assim o objetivo prec\u00edpuo da atividade socioecon\u00f4mica: dar resposta positiva \u00e0 vida de todos n\u00f3s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Conquanto, isso somente ser\u00e1 poss\u00edvel quando houver a concilia\u00e7\u00e3o definitiva da economia com os princ\u00edpios da ecologia, colocando as pessoas \u2013 e n\u00e3o o mercado \u2013 para pensar a organiza\u00e7\u00e3o socioecon\u00f4mica em termos de seus fundamentos biof\u00edsicos, regendo, pois, as regras da vida social pautadas na sustentabilidade (pelo lado da ecologia) e no desenvolvimento (pelo lado da economia).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Marcus Eduardo de Oliveira &#8211; <\/strong>Economista e ativista ambiental.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(**) Do livro \u201cFundamentos de Pol\u00edtica e Gest\u00e3o Ambiental \u2013 Caminhos para a Sustentabilidade\u201d, Garamond, 2013, RJ, p. 35.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Promover um bom entrosamento entre o olhar econ\u00f4mico (produ\u00e7\u00e3o, consumo e circula\u00e7\u00e3o de bens) e a dimens\u00e3o ambiental (notadamente os servi\u00e7os ecossist\u00eamicos e a disponibilidade limitada de recursos naturais e energ\u00e9ticos) visando diminuir a inquietante correla\u00e7\u00e3o entre crescimento econ\u00f4mico (mais<\/p>\n<p><a class=\"more-link\" href=\"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=1064\">Leia Mais<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-1064","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-artigo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1064"}],"collection":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1064"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1064\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1064"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1064"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1064"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}