{"id":10235,"date":"2020-03-11T09:29:04","date_gmt":"2020-03-11T12:29:04","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cofecon.org.br\/?p=10235"},"modified":"2020-03-11T09:29:04","modified_gmt":"2020-03-11T12:29:04","slug":"artigo-os-desafios-das-mulheres-na-carreira-docente-de-economia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=10235","title":{"rendered":"Artigo &#8211; Os desafios das mulheres na carreira docente de Economia"},"content":{"rendered":"\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-10236 alignleft\" src=\"https:\/\/www.cofecon.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/Foto_CamilaUgino-180x300.jpeg\" alt=\"\" width=\"143\" height=\"210\" \/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-10237 alignright\" src=\"https:\/\/www.cofecon.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/Grasiela-225x300.jpeg\" alt=\"\" width=\"164\" height=\"233\" \/>Camila Kimie Ugino &#8211; Docente na Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica de S\u00e3o Paulo (PUCSP) e na Universidade Paulista (UNIP).<\/p>\n<p>Grasiela Cristina da Cunha Baruco &#8211; Professora Associada do Departamento de Ci\u00eancias Econ\u00f4micas da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ).<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Este texto parte da inquieta\u00e7\u00e3o geral sobre a atua\u00e7\u00e3o profissional das mulheres no campo das Ci\u00eancias Econ\u00f4micas e, particularmente, na atua\u00e7\u00e3o docente. Seria esta carreira inerentemente dominada por homens? Vamos tentar olhar ao nosso redor: s\u00e3o quantas professoras em rela\u00e7\u00e3o aos professores em Economia?<\/p>\n<p>Apesar do aumento na quantidade de mulheres economistas, ainda \u00e9 um campo majoritariamente masculino. O desafio \u00e9 compreender por que essa invisibilidade ocorre em pleno s\u00e9culo XXI, quando as mulheres conquistaram avan\u00e7os significativos, a partir das lutas hist\u00f3ricas em busca de emancipa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o da mulher no mercado de trabalho brasileiro ainda apresenta situa\u00e7\u00f5es pouco gloriosas em atividades prec\u00e1rias e mais propensas a ficarem desempregadas. Por exemplo, o rendimento m\u00e9dio das mulheres, considerando as atividades formais e informais, \u00e9 23,5% menor que o equivalente dos homens, al\u00e9m de dedicarem muito mais tempo aos cuidados pessoais e aos afazeres dom\u00e9sticos. O n\u00edvel de desigualdade aumenta quando comparamos o rendimento m\u00e9dio das mulheres negras com os homens brancos, que chega a uma diferen\u00e7a de 47,4%<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a>.\u00a0<\/p>\n<p>No meio acad\u00eamico, a igualdade de g\u00eanero vem chamando aten\u00e7\u00e3o h\u00e1 algum tempo. O estudo de Lundberg e Stearns (2019)<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a> apresenta um progresso das mulheres estadunidenses na economia, desde os anos 1970\/80. De acordo com essa pesquisa, de meados dos anos 2000 para c\u00e1, apenas 35% dos doutorandos e 30% dos professores em economia s\u00e3o mulheres, destacando que h\u00e1 uma concentra\u00e7\u00e3o de mulheres no in\u00edcio da carreira docente em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s posi\u00e7\u00f5es mais seniores. Em compara\u00e7\u00e3o \u00e0s diversas \u00e1reas, a diferen\u00e7a de g\u00eanero na Economia \u00e9 persistente.<\/p>\n<p>No Brasil, as economistas em institui\u00e7\u00f5es de ensino representam apenas 25% do corpo docente<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a>, concentrando-se nos est\u00e1gios iniciais de carreira, o que agravam as condi\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas de acesso e perman\u00eancia nesta atividade. H\u00e1 um longo trabalho a ser feito quando observamos que o curso de Economia ocupou o 37\u00ba lugar na representatividade feminina entre os cursos com maior quantidade de matriculados. Isto significa uma representa\u00e7\u00e3o feminina de 39% entre os matriculados em Economia, percentual bastante abaixo da m\u00e9dia de representatividade. O resultado do Censo da Educa\u00e7\u00e3o Superior de 2018 apresenta uma queda da participa\u00e7\u00e3o feminina, entre os que est\u00e3o cursando o curso de Economia, chegando a 35,13%<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[4]<\/a>. \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<\/p>\n<p>Quando se considera o universo cient\u00edfico, e n\u00e3o somente a economia, as mulheres comp\u00f5em 55% dos que cursam gradua\u00e7\u00e3o no pa\u00eds, 52% dos que cursam mestrado e 50% dos doutorandos (Revista G\u00eanero e N\u00famero, 10 edi\u00e7\u00e3o<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\">[5]<\/a>). Ainda assim, de acordo com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient\u00edfico e Tecnol\u00f3gico \u2013 CNPq<a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\">[6]<\/a> \u2013, \u201cas mulheres est\u00e3o abaixo dos homens em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s lideran\u00e7as de grupos de pesquisa (47%) [&#8230;] e dos pesquisadores reconhecidos no meio cient\u00edfico como os de grande produtividade (36%)\u201d.<\/p>\n<p>Os m\u00faltiplos relatos pessoais de mulheres e os n\u00fameros acima apresentados corroboram o trivial, a discrep\u00e2ncia e a desigualdade que separa homens e mulheres nas m\u00faltiplas \u00e1reas\/ tarefas necess\u00e1rias para a reprodu\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n<p>Sociedade essa que, ao construir figura\u00e7\u00f5es sobre as coisas e circunst\u00e2ncias com base em no\u00e7\u00f5es abstratas (\u201cos homens\u201d, \u201cas mulheres\u201d, dentre outras, claro), delimita seus pap\u00e9is sociais. Assim, se s\u00e3o pap\u00e9is sociais delimitados, ent\u00e3o n\u00e3o se trata mais de homem\/mulher em geral; s\u00e3o homens e mulheres inseridos, produtores e produzidos, em estruturas sociais espec\u00edficas.<\/p>\n<p>A luta por igualdade nessas circunst\u00e2ncias \u00e9 v\u00e1lida e necess\u00e1ria, obviamente. Mas \u00e9 luta no interior e inspirada por tais estruturas e rela\u00e7\u00f5es. Seria preciso, portanto, transcend\u00ea-las.<\/p>\n<p>No \u00faltimo congresso da ANGE, discutimos sobre a presen\u00e7a das professoras nos cursos de Economia e estamos atentos a este assunto. Um primeiro passo \u00e9 a busca pela inser\u00e7\u00e3o e igualdade de g\u00eanero, assim poderemos construir uma sociedade em que a maioria social esteja em uma agenda comum de lutas.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> IBGE. <em>Pnad cont\u00ednua<\/em>. Dezembro de 2019.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> LUNDBERG, Shelly; STEARNS, Jenna.\u00a0 Women in Economics: Stalled Progress. <em>Journal of Economic Perspectives<\/em>, 33 (1): 3-22. 2019.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> De acordo com ECONOMISTAS \u2013 Brazilian Women in Economics. <em>As mulheres nos diferentes est\u00e1gios da carreira acad\u00eamica em Economia no Brasil<\/em>. 03 dez de 2018 e KARPAVICIUS, Luiza <em>et al.<\/em> Diversidade de G\u00eanero: a FEA em N\u00fameros<em>. Informa\u00e7\u00f5es FIPE<\/em>, n. 464, mai. 2019. Foram analisados dados do Censo da Educa\u00e7\u00e3o Superior de 2015.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a> INEP. <em>Censo da educa\u00e7\u00e3o superior<\/em>. 2018. Dispon\u00edvel em: <a href=\"http:\/\/inep.gov.br\/microdados\">http:\/\/inep.gov.br\/microdados<\/a>. Acesso em 06 fev. de 2020. Agradecemos ao pesquisador Danilo Severian pela ajuda com os dados.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a> Dispon\u00edvel em: <a href=\"http:\/\/www.generonumero.media\/edicao-10\/\">http:\/\/www.generonumero.media\/edicao-10\/<\/a>. Acesso em 07 fev. 2020.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\">[6]<\/a> CNPq, 2018 <em>Apud<\/em> DUARTE. Rafael. <em>Mandacaru cient\u00edfico<\/em>. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.uol.com.br\/ecoa\/reportagens-especiais\/causador-natalia-mota\/#tematico-4\">https:\/\/www.uol.com.br\/ecoa\/reportagens-especiais\/causador-natalia-mota\/#tematico-4<\/a>. Acesso em 11 fev. 2020.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":1,"featured_media":10247,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6,9],"tags":[],"class_list":["post-10235","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigo","category-mulhereconomista"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/10235"}],"collection":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=10235"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/10235\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/10247"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=10235"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=10235"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=10235"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}