{"id":10223,"date":"2020-03-06T09:10:47","date_gmt":"2020-03-06T12:10:47","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cofecon.org.br\/?p=10223"},"modified":"2020-03-06T09:10:47","modified_gmt":"2020-03-06T12:10:47","slug":"artigo-genero-e-outras-desigualdades-mercado-de-trabalho-influencias-e-perspectivas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=10223","title":{"rendered":"Artigo &#8211; G\u00eanero e outras desigualdades: mercado de trabalho, influ\u00eancias e perspectivas"},"content":{"rendered":"\n<p><span style=\"font-size: inherit;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-10227 alignleft\" src=\"https:\/\/www.cofecon.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/Emmanuele-Ara\u00fajo-da-Silveira-300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"241\" height=\"172\" \/>Emanuelle Ara\u00fajo da Silveira &#8211; Bacharel em Ci\u00eancias Econ\u00f4micas pela Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica de Minas Gerais (PUC-Minas). Foi estagi\u00e1ria do N\u00facleo do Trabalho e Produ\u00e7\u00e3o e extensionista no projeto IDEIAS \u2013 Incubadora de Desenvolvimento Econ\u00f4mico com Inova\u00e7\u00e3o Ambiental e Social. \u00c9 conselheira do Conselho Regional de Economia de Minas Gerais (Corecon-MG), funcion\u00e1ria do quadro t\u00e9cnico-administrativo da Pr\u00f3-reitoria de Extens\u00e3o da PUC-Minas e presidente da Associa\u00e7\u00e3o dos Servidores da PUC-Minas. Possui artigos sobre economia do bem-estar, atuando principalmente nos seguintes temas: vulnerabilidade, inclus\u00e3o social, modelos de produ\u00e7\u00e3o, tecnologias apropriadas e economia solid\u00e1ria.<strong>\u00a0<\/strong><\/span><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-10228 alignleft\" src=\"https:\/\/www.cofecon.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/Pamela-Lorrany-Sobrinho-265x300.jpg\" alt=\"\" width=\"187\" height=\"218\" \/>Pamela Lorrany Sobrinho &#8211; Graduada em Ci\u00eancias Econ\u00f4micas pelo Centro Universit\u00e1rio Newton Paiva e p\u00f3s-graduada em Controladoria e Finan\u00e7as pela Escola Superior Aberta do Brasil (ESAB). J\u00e1 foi tutora do curso de Ci\u00eancias Econ\u00f4micas da Universidade Norte do Paran\u00e1 (Unopar) e professora de Introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 Economia no Centro Universit\u00e1rio Newton Paiva. Atualmente, cursa MBA em Gest\u00e3o Empresarial pela Funda\u00e7\u00e3o Get\u00falio Vargas (FGV) e atua como Analista de Arrecada\u00e7\u00e3o da Federa\u00e7\u00e3o das Ind\u00fastrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg). \u00c9 conselheira do Conselho Regional de Economia de Minas Gerais (Corecon-MG) e vice-presidente do Instituto Corecon Cultural. Tem experi\u00eancia na \u00e1rea de economia, gest\u00e3o or\u00e7ament\u00e1ria, proje\u00e7\u00f5es financeiras, analises macro\/microecon\u00f4micas e setoriais.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-10229 alignleft\" src=\"https:\/\/www.cofecon.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/Tania-Cristina-Teixeira-200x300.jpg\" alt=\"\" width=\"178\" height=\"256\" \/>Tania Cristina Teixeira &#8211; Graduada em Ci\u00eancias Econ\u00f4micas pela Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica de Minas Gerais (PUC-Minas), mestre em Ci\u00eancia Pol\u00edtica pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Master-DEA e doutora em Economia Aplicada pela Universidad de Valencia. Atualmente \u00e9 presidenta do Conselho Regional de Economia de Minas Gerais (Corecon-MG), pesquisadora do Nutra\/Proex\/PUC-Minas e professora da PUC-Minas nos cursos de Economia, Direito e Turismo. Tem experi\u00eancia na \u00e1rea de economia da tecnologia e economia do trabalho, com \u00eanfase em pol\u00edticas e programas de bem-estar social, atuando principalmente nos seguintes temas: desenvolvimento, precariedade e flexibilidade laboral, novas tecnologias da comunica\u00e7\u00e3o e da informa\u00e7\u00e3o, economia do turismo e da cultura, tecnologias sociais, economia social, economia internacional e comparada.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-10230 alignleft\" src=\"https:\/\/www.cofecon.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/Valquiria-Assis-200x300.jpg\" alt=\"\" width=\"181\" height=\"265\" \/>Valqu\u00edria Aparecida Assis &#8211; Graduada em Ci\u00eancias Econ\u00f4micas pelo Centro Universit\u00e1rio Newton Paiva com especializa\u00e7\u00e3o em Marketing Pol\u00edtico: M\u00eddia, Comportamento Eleitoral e Opini\u00e3o P\u00fablica pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Atualmente, \u00e9 conselheira do Conselho Regional de Economia de Minas Gerais (Corecon-MG) e cursa especializa\u00e7\u00e3o em Economia do Trabalho e Sindicalismo pela Universidade de Campinas (Unicamp). Tem experi\u00eancia nas \u00e1reas de ger\u00eancia financeira, assessoria econ\u00f4mica e t\u00e9cnica em assuntos econ\u00f4micos.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>A desigualdade de g\u00eanero encontra-se presente na estrutura social, tendo se perpetuado atrav\u00e9s de uma constru\u00e7\u00e3o patriarcal que \u201cpermeia toda a organiza\u00e7\u00e3o da sociedade, da produ\u00e7\u00e3o e do consumo \u00e0 pol\u00edtica, \u00e0 legisla\u00e7\u00e3o e \u00e0 cultura\u201d. (CASTELLS, 1999, p.169). Ao g\u00eanero, somam-se ainda as diferen\u00e7as de classe, ra\u00e7a, orienta\u00e7\u00e3o sexual, entre outros fatores identit\u00e1rios, que resultam em pr\u00e1ticas discriminat\u00f3rias concomitantes.<\/p>\n<p>Pode-se considerar que \u201ca constru\u00e7\u00e3o dos g\u00eaneros se d\u00e1 atrav\u00e9s da din\u00e2mica das rela\u00e7\u00f5es sociais. Os seres humanos s\u00f3 se constroem como tal em rela\u00e7\u00e3o com os outros. N\u00e3o se trata de perceber apenas corpos que entram em rela\u00e7\u00e3o com outro. \u00c9 a totalidade formada pelo corpo, pelo intelecto, pela emo\u00e7\u00e3o, pelo car\u00e1ter do EU, que entra em rela\u00e7\u00e3o com o outro. Cada ser humano \u00e9 a hist\u00f3ria de suas rela\u00e7\u00f5es sociais, perpassadas por antagonismos e contradi\u00e7\u00f5es de g\u00eanero, classe, ra\u00e7a\/etnia\u201d. (Saffioti, 1992, p. 210, in Carloto).<\/p>\n<p>Neste contexto, a divis\u00e3o sexual do trabalho sempre atuou como um dos mecanismos de exclus\u00e3o da mulher, com forte liga\u00e7\u00e3o \u00e0 dicotomia p\u00fablico-privado: as fun\u00e7\u00f5es laborais sempre foram divididas socialmente partindo de \u201cuma l\u00f3gica sexista, que associava as mulheres \u00e0 esfera dom\u00e9stica e delegava aos homens as fun\u00e7\u00f5es relacionadas ao trabalho fora e \u00e0 intera\u00e7\u00e3o com outros indiv\u00edduos\u201d. (OLIVEIRA, 2019, p. 10).<\/p>\n<p>Sendo assim, ao passo em que as mulheres brancas e de classes dominantes permaneceram isoladas em seus lares, financeiramente dependentes de seus pais ou c\u00f4njuges, sem autonomia para a escolha de sua pr\u00f3pria profiss\u00e3o, as mulheres negras eram submetidas \u00e0 escravid\u00e3o e ao trabalho pesado na lavoura, e \u00e0s mulheres pobres restava a venda de for\u00e7a laboral a pre\u00e7os \u00ednfimos e condi\u00e7\u00f5es prec\u00e1rias, apenas por estarem, supostamente, fora de seu lugar de pertencimento.<\/p>\n<p>A heran\u00e7a de uma sociedade constru\u00edda com base em diversas formas de discrimina\u00e7\u00e3o, sempre associadas ao g\u00eanero, \u00e9 o que resulta, at\u00e9 hoje, em condi\u00e7\u00f5es desiguais de trabalho para as mulheres e, consequentemente, da participa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica das mesmas. \u201cMulheres recebem menos que homens para exercerem os mesmos cargos; mulheres s\u00e3o preteridas pelos empregadores dadas as possibilidades de afastamento por gravidez ou para cuidar dos filhos; mulheres pobres ou m\u00e3es solo t\u00eam jornada dupla [&#8230;], mulheres negras s\u00e3o afastadas dos estudos desde cedo e relegadas a fun\u00e7\u00f5es relativas ao cuidado, como na cozinha ou limpeza [&#8230;]\u201d. (OLIVEIRA, 2019, p.9).<\/p>\n<p>H\u00e1 de se considerar tamb\u00e9m que \u201cos baixos sal\u00e1rios recebidos pelas mulheres t\u00eam explica\u00e7\u00e3o nas interpreta\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas, pois os ganhos recebidos pelos homens seriam calculados de modo a garantir a sua sobreviv\u00eancia e a reprodu\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia e os sal\u00e1rios das mulheres seriam definidos como ganhos adicionais ao sal\u00e1rio do homem, que seria satisfat\u00f3rio para o seu pr\u00f3prio sustento e o da fam\u00edlia\u201d. (PINHEIRO et al., 2008).<\/p>\n<p>No Brasil, no entanto, o inconformismo com essa situa\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m emergiu juntamente com outros movimentos de emancipa\u00e7\u00e3o, em \u00e2mbito nacional e internacional. A igualdade de direitos e condi\u00e7\u00f5es trabalhistas sempre foram pautas de destaque no movimento feminista, ganhando forte ades\u00e3o na d\u00e9cada de 70. Hoje, as mulheres j\u00e1 est\u00e3o presentes nos mais diversos setores de atividades, com altas taxas de emprego formal e informal, embora ainda n\u00e3o totalmente equ\u00e2nimes, o que seria de suma import\u00e2ncia para sua emancipa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e social. Conforme explicam as pesquisadoras da Funda\u00e7\u00e3o Jo\u00e3o Pinheiro (FJP):<\/p>\n<p>\u201cA Popula\u00e7\u00e3o Economicamente Ativa feminina observou incrementos consider\u00e1veis no Brasil. Sua taxa de atividade aumentou de 47% para 53% entre 1993 e 2005 (BRUSCHINI, 2007). S\u00e3o diversas as causas dessa participa\u00e7\u00e3o feminina maior no mercado de trabalho ao longo do tempo. Entre elas, a queda de fecundidade, particularmente em cidades e regi\u00f5es mais desenvolvidas do pa\u00eds, a diminui\u00e7\u00e3o do tamanho das fam\u00edlias, o incremento da expectativa de vida e o consequente envelhecimento da popula\u00e7\u00e3o, al\u00e9m do importante crescimento no n\u00famero de domic\u00edlios chefiados por mulheres a partir da d\u00e9cada de 1980 (BRUSCHINI, 2007). Ao mesmo tempo, o incremento nos n\u00edveis de escolariza\u00e7\u00e3o tornou poss\u00edvel o acesso de mulheres a diferentes oportunidades de trabalho, aquelas dotadas de maior status social\u201d. (RIANI\u00a0 et al., 2014, p.2).<\/p>\n<p>Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domic\u00edlios Cont\u00ednua (PNAD Cont\u00ednua) divulgada trimestralmente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), que visa \u201cacompanhar as flutua\u00e7\u00f5es trimestrais e a evolu\u00e7\u00e3o [&#8230;] da for\u00e7a de trabalho do pa\u00eds\u201d<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a>, no segundo semestre de 2013 a taxa de ocupa\u00e7\u00e3o das mulheres brasileiras era de 42,4 %, dado inferior embora n\u00e3o t\u00e3o discrepante da taxa de ocupa\u00e7\u00e3o masculina (57,6%). Na regi\u00e3o Sudeste, a aproxima\u00e7\u00e3o era ainda maior: 43,6% da for\u00e7a de trabalho eram representados pelas mulheres, e os outros 56,4%, pelos homens.<\/p>\n<p>Ao compararmos estes dados com os de pesquisas mais atuais, verificamos que, pouco a pouco, as taxas v\u00e3o se equiparando e chegando mais perto de um equil\u00edbrio. No \u00faltimo trimestre de 2019, as mulheres j\u00e1 representavam 43,9% da popula\u00e7\u00e3o brasileira empregada, enquanto em rela\u00e7\u00e3o ao Sudeste, ocupavam 45% do mercado de trabalho.<\/p>\n<p>\u00c9 importante, por\u00e9m, ressaltar que o n\u00famero de mulheres em idade de trabalhar (com 14 anos ou mais) sempre foi maior em todo esse per\u00edodo: em 2013, elas representavam 52,3% da popula\u00e7\u00e3o em uma perspectiva nacional, e em 2019, 52,4%. Por esse motivo, para que haja uma real equipara\u00e7\u00e3o da presen\u00e7a de homens e mulheres no mercado, \u00e9 preciso que isso ocorra de forma proporcional, ou seja: com mais mulheres do que homens trabalhando. Tendo por base o crescimento desses indicadores ao longo dos \u00faltimos seis anos, \u00e9 esperada uma equipara\u00e7\u00e3o em breve, j\u00e1 que a popula\u00e7\u00e3o feminina empregada vem crescendo, sobretudo no Sudeste e no Sul, mesmo que o n\u00edvel da ocupa\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 desocupa\u00e7\u00e3o tenha ca\u00eddo de 57,1% para 54,8% no Brasil e de 56,4% para 53,3% no Sudeste, entre 2013 e 2019.<\/p>\n<p>Do ponto de vista interseccional, por sua vez, percebe-se que o grau de instru\u00e7\u00e3o, a idade e a regi\u00e3o de resid\u00eancia afetam, de forma ainda mais destacada que os g\u00eaneros, na taxa de emprego e desemprego do pa\u00eds: em 2019, a PNAD Cont\u00ednua apontou taxa de ocupa\u00e7\u00e3o de apenas 41,8% para pessoas com ensino fundamental incompleto, enquanto das pessoas com ensino superior completo, 76,4% estavam empregadas. O mercado d\u00e1 ainda prioridade a adultos entre 25 a 39 anos, enquanto torna-se cada vez menos acess\u00edvel aos residentes da regi\u00e3o Nordeste, que concentra 55% da popula\u00e7\u00e3o em pobreza extrema de todo o Brasil, segundo dados da PNAD Cont\u00ednua de 2017.<\/p>\n<p>Somente em mar\u00e7o de 2018, o IBGE divulgou a primeira pesquisa sobre <em>Estat\u00edsticas de g\u00eanero \u2014 Indicadores sociais das mulheres no Brasil<\/em>, em alus\u00e3o ao Dia Internacional da Mulher (8 de mar\u00e7o). Nela, ficou registrado que as mulheres est\u00e3o na frente dos homens quando se diz respeito \u00e0 escolaridade: 39,4% da popula\u00e7\u00e3o feminina com mais de 25 anos de idade t\u00eam ensino superior completo, enquanto a popula\u00e7\u00e3o masculina apresenta 27,7% de graduados. Com isso, e levando em conta que a popula\u00e7\u00e3o com ensino superior \u00e9 a mais empregada do pa\u00eds, era de se esperar tamb\u00e9m uma maior taxa de emprego das mulheres, que ainda n\u00e3o ocorreu. Al\u00e9m do mais, mesmo com uma porcentagem maior de n\u00edvel superior, elas ganhavam um sal\u00e1rio m\u00e9dio de R$ 1.764,00 em 2016, enquanto os homens ganhavam cerca de R$ 2.306,00, ocupando 21,8% a mais dos cargos de lideran\u00e7a e gest\u00e3o.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 escolaridade, sal\u00e1rio, cor e ra\u00e7a tamb\u00e9m influenciam para al\u00e9m do g\u00eanero: dos 39,4% da popula\u00e7\u00e3o feminina com ensino superior completo, apenas 10% s\u00e3o pretas, e dos 27,7% de homens graduados, apenas 7% s\u00e3o negros. Segundo dados do Observat\u00f3rio das Desigualdades Sociais (ODS), conformado a partir de uma frut\u00edfera parceria entre a FJP e o Conselho Regional de Economia de Minas Gerais (Corecon-MG), o sal\u00e1rio m\u00e9dio de um homem branco chega a ser 140% maior que o de uma mulher preta ou parda, dado que chega a 38,2% na compara\u00e7\u00e3o com o sal\u00e1rio de uma mulher branca. A prova de que a ra\u00e7a pode ter mais peso que o pr\u00f3prio g\u00eanero \u00e9 que o sal\u00e1rio da mulher branca, mesmo inferior ao do homem branco, ainda \u00e9 cerca de R$ 600, em m\u00e9dia, maior que o do homem negro. De mulher branca para mulher negra, o sal\u00e1rio chega a variar 74,2%.<\/p>\n<p>As mulheres, sobretudo as pretas e pardas, tamb\u00e9m continuam com a maior m\u00e9dia de horas semanais dedicadas ao cuidado da fam\u00edlia ou do lar, conforme as estat\u00edsticas de g\u00eanero do IBGE de 2016: na regi\u00e3o Sudeste, enquanto os homens dedicavam apenas 10,7 horas por semana a tais atividades, as mulheres entregavam 18,4 horas de seu tempo, quase o dobro. Isso mostra que o n\u00famero de mulheres em jornada dupla \u00e9 grande, j\u00e1 que no mercado de trabalho a taxa de mulheres empregadas \u00e9 quase igual \u00e0 de homens, mas que, mesmo assim, estas continuam a se dedicar muito mais ao lar e \u00e0 fam\u00edlia.<\/p>\n<p>Sobre o fen\u00f4meno da jornada dupla, a Revista Retratos, do IBGE, explica:<\/p>\n<p>\u201c[&#8230;] O fen\u00f4meno da dupla jornada \u00e9 considerado um impedimento ao aumento da participa\u00e7\u00e3o feminina na for\u00e7a de trabalho. Em 2018 a taxa de participa\u00e7\u00e3o delas ainda era quase 20% inferior \u00e0 dos homens (52,7% no 4\u00ba trimestre de 2018 contra 71,5% deles). Segundo a coordenadora de Popula\u00e7\u00e3o e Indicadores Sociais do IBGE, B\u00e1rbara Cobo, ou acontece a dupla fun\u00e7\u00e3o, ou a trabalhadora em geral acaba empregando outra mulher que a substitui em casa: \u201cmuitas vezes gastando todo o sal\u00e1rio para contratar algu\u00e9m que fa\u00e7a o servi\u00e7o\u201d\u201d. (PERISS\u00c9; LOSCHI, 2019, p. 21).<\/p>\n<p>Neste sentido, pode-se afirmar que a entrada da mulher no mercado de trabalho esta condicionada \u00e0 submiss\u00e3o de outra mulher a uma posi\u00e7\u00e3o desigual, mantendo e perpetuando o ciclo de desigualdade de g\u00eanero. Pode-se considerar tamb\u00e9m que a economia do cuidado \u00e9 atribui\u00e7\u00e3o pouco remunerada ou sem remunera\u00e7\u00e3o, cuja fun\u00e7\u00e3o de cuidar \u00e9 atribui\u00e7\u00e3o com base social atribu\u00edda ao g\u00eanero feminino. Verifica-se que a \u201c\u00e1rea de cuidados de pessoas, a distribui\u00e7\u00e3o dos ocupados pende mais para o lado das mulheres, principalmente entre bab\u00e1s, com 96,4% de participa\u00e7\u00e3o feminina. Na educa\u00e7\u00e3o, quanto mais jovem o segmento, maior \u00e9 a propor\u00e7\u00e3o. As educadoras infantis mulheres s\u00e3o quase a totalidade do setor (97,3%)\u201d. (PERISS\u00c9; LOSCHI, 2019, p. 24).<\/p>\n<p>Cabe destacar ainda outro fator relevante acerca da condi\u00e7\u00e3o feminina, dado que a maioria das mulheres&#8230;<\/p>\n<p>\u201c[&#8230;] ainda tem gravado em seu inconsciente o papel que lhe foi atribu\u00eddo por d\u00e9cadas e sente-se culpada se n\u00e3o consegue equilibrar os seus pap\u00e9is de mulher, m\u00e3e e profissional. A independ\u00eancia no \u00e2mbito do simb\u00f3lico ainda n\u00e3o ocorreu. O esgotamento f\u00edsico e mental resultante de uma sobrecarga em face de uma dupla ou tripla jornada de trabalho \u00e9 uma realidade que merece maior aten\u00e7\u00e3o. Embora tenha ocorrido uma mudan\u00e7a de pensamento e atitude com rela\u00e7\u00e3o aos papeis atribu\u00eddos a homens e mulheres, ainda verifica-se a desvaloriza\u00e7\u00e3o do trabalho dom\u00e9stico que, na maioria das vezes, \u00e9 conferido \u00e0s mulheres, o que, inclusive, traz a ela uma sobrecarga de trabalho e a leva, por conseguinte, em muitos casos, a buscar no mercado de trabalho oportunidades que permitam maior flexibiliza\u00e7\u00e3o entre esses dois mundos (publico e privado)\u201d. (CAVEDON et al. 2005, p.4).<\/p>\n<p>Este padr\u00e3o de atua\u00e7\u00e3o em esferas diversas tem propiciado o adoecimento, inclusive, daquelas mulheres que exercem atividades profissionais que exigem maior qualifica\u00e7\u00e3o e n\u00edvel de escolaridade elevado.<\/p>\n<p>Na \u00e1rea de Economia, quando aferimos o n\u00famero de profissionais registrados no Corecon-MG em 2020, o n\u00famero de homens \u00e9 duas vezes maior que o de mulheres: s\u00e3o 1.028 economistas do sexo feminino e 2.586 do sexo masculino.<\/p>\n<p>Com esses dados, \u00e9 poss\u00edvel concluir que ainda estamos colhendo os frutos de uma constru\u00e7\u00e3o social perpetuada por diversos fatores discriminat\u00f3rios estruturais que, na medida em que se somam e se interseccionam, podem afetar mais a alguns indiv\u00edduos que a outros. A presen\u00e7a cada vez mais crescente das mulheres no mercado nos d\u00e1 uma perspectiva otimista de que est\u00e3o mais livres, aptas e interessadas a \u201ccorrerem atr\u00e1s do preju\u00edzo\u201d que lhes foi imposto durante tantos anos do ponto de vista social, lutando para alcan\u00e7ar postos e condi\u00e7\u00f5es trabalhistas equ\u00e2nimes em rela\u00e7\u00e3o aos homens. Por\u00e9m, o que foi constru\u00eddo em s\u00e9culos, decerto n\u00e3o ser\u00e1 desconstru\u00eddo em d\u00e9cadas: \u00e9 preciso aguardar o fator tempo, que tende a ser promissor com a crescente participa\u00e7\u00e3o de mulheres em movimentos sociais pela equidade, dos mais diversos fatores. Evidente que o sal\u00e1rio feminino continua inferior, sobretudo quando falamos de mulheres negras, e que elas ainda s\u00e3o sobrecarregadas com tarefas do lar como um reflexo da sua antiga no\u00e7\u00e3o de pertencimento exclusivo ao privado. Apesar disso, ver que as mulheres est\u00e3o se capacitando e estudando mais que os homens, obtendo mais oportunidades acad\u00eamicas, tamb\u00e9m \u00e9 um indicador que nos confere mais esperan\u00e7a, j\u00e1 que \u00e9 vis\u00edvel o interesse feminino em alterar sua posi\u00e7\u00e3o de exclus\u00e3o e almejar a melhoria salarial.<\/p>\n<p>O pr\u00f3ximo passo \u00e9 que os sal\u00e1rios de homens e mulheres se equiparem, sobretudo no exerc\u00edcio do mesmo cargo, que elas sejam mais reconhecidas pelos maiores esfor\u00e7os em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, que as mulheres negras saiam da \u00e1rea dos cuidados e conquistem cargos de lideran\u00e7a tal qual as mulheres brancas j\u00e1 t\u00eam alcan\u00e7ado, e que as tarefas dom\u00e9sticas sejam igualmente divididas, j\u00e1 que tamb\u00e9m s\u00e3o consideradas, inclusive nas pesquisas citadas acima, enquanto atividades laborais. Esses fatores est\u00e3o sendo lentamente encaminhados, embora permane\u00e7am ainda muito discrepantes.<\/p>\n<p>Averigua-se que a inser\u00e7\u00e3o da mulher no mercado de trabalho ainda nos remete a entender \u201cconflitos relacionados a preconceitos, ac\u00famulo de atividades assim como a pr\u00f3pria auto-supera\u00e7\u00e3o feminina quanto a sua capacidade de desempenhar, assim como os homens, atividades vistas como exclusivamente masculinas. A articula\u00e7\u00e3o entre trabalho profissional e trabalho familiar e dom\u00e9stico (dupla jornada de trabalho feminina) requer uma reformula\u00e7\u00e3o do uso de tempos e espa\u00e7os, pois as mulheres vivem mais intensamente a tens\u00e3o da pluralidade dos tempos.\u201d (NEVES, 2013, p. 404-421).<\/p>\n<p>\u00c9 com este intuito que n\u00f3s, mulheres economistas, nos organizamos no Corecon Mulher Minas com vistas a contribuir com a discuss\u00e3o em \u00e2mbito nacional e regional almejando a evolu\u00e7\u00e3o profissional e educativa das mulheres, na tentativa de promover a constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade justa, equ\u00e2nime e solid\u00e1ria.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Cita\u00e7\u00e3o retirada da p\u00e1gina da PNAD Cont\u00ednua no site do IBGE. Dispon\u00edvel em: &lt;<a href=\"https:\/\/sidra.ibge.gov.br\/pesquisa\/pnadcm\/tabelas\">https:\/\/sidra.ibge.gov.br\/pesquisa\/pnadcm\/tabelas<\/a>&gt;. Acesso em 05 de fev. de 2020.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>REFER\u00caNCIA BIBLIOGR\u00c1FICA\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Boletim do Observat\u00f3rio das Desigualdades: O trabalho desigual \u2013 G\u00eanero e ra\u00e7a no mercado de trabalho.\u00a0<\/strong>Belo Horizonte: Funda\u00e7\u00e3o Jo\u00e3o Pinheiro, n. 3, jan. 2019. Dispon\u00edvel em: &lt;<a href=\"http:\/\/bit.ly\/2SmQwAc\">http:\/\/bit.ly\/2SmQwAc<\/a>&gt;. Acesso em: 05 fev. 2020.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>CASTELLS, Manuel.\u00a0<strong>O fim do patriarcalismo: movimentos sociais, fam\u00edlia e sexualidade na era da informa\u00e7\u00e3o<\/strong>. In: CASTELLS, Manuel.O poder da identidade. S\u00e3o Paulo: Paz e Terra, 1999, p. 169.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>CAVEDON, R. N.; GIORDANI, G. C.; CRAIDE, A.\u00a0<strong>Mulheres trabalhando e administrando espa\u00e7os de identidade masculina.<\/strong>\u00a0In: Encontro da Associa\u00e7\u00e3o Nacional dos Programas de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Administra\u00e7\u00e3o, 29, 2005, Bras\u00edlia\/DF. Anais. Bras\u00edlia\/DF: ANPAD, 2005.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>HIRATA, H.; KERGOAT, D.\u00a0<strong>Novas configura\u00e7\u00f5es da divis\u00e3o sexual do trabalho<\/strong>. Tradu\u00e7\u00e3o de F\u00e1tima Murad. Cadernos de Pesquisa, v. 37, n. 132, p. 595-609, set.\/dez. 2007.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE).\u00a0<strong>Pesquisa Pesquisa Nacional por Amostra de Domic\u00edlios Cont\u00ednua (PNAD Cont\u00ednua).\u00a0<\/strong>2\u00ba trimestre de 2013. Dispon\u00edvel em: &lt;<a href=\"http:\/\/bit.ly\/382ChXT\">http:\/\/bit.ly\/382ChXT<\/a>&gt;. Acesso em: 05 fev. 2020.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE).\u00a0<strong>Pesquisa Pesquisa Nacional por Amostra de Domic\u00edlios Cont\u00ednua (PNAD Cont\u00ednua).\u00a0<\/strong>3\u00ba trimestre de 2019. Dispon\u00edvel em: &lt;<a href=\"http:\/\/bit.ly\/3beIulk\">http:\/\/bit.ly\/3beIulk<\/a>&gt;. Acesso em: 05 fev. 2020.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE).\u00a0<strong>Pesquisa Pesquisa Nacional por Amostra de Domic\u00edlios Cont\u00ednua (PNAD Cont\u00ednua).\u00a0<\/strong>3\u00ba trimestre de 2019. Dispon\u00edvel em: &lt;<a href=\"http:\/\/bit.ly\/3beIulk\">http:\/\/bit.ly\/3beIulk<\/a>&gt;. Acesso em: 05 fev. 2020.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE).\u00a0<strong>Pesquisa Pesquisa Nacional por Amostra de Domic\u00edlios Cont\u00ednua (PNAD Cont\u00ednua).\u00a01<\/strong>\u00ba trimestre de 2017. Dispon\u00edvel em: &lt;<a href=\"http:\/\/bit.ly\/399JLsc\">http:\/\/bit.ly\/399JLsc<\/a>&gt;. Acesso em: 05 fev. 2020.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE).\u00a0<strong>Estat\u00edsticas de G\u00eanero<\/strong><\/p>\n<p><strong>Indicadores sociais das mulheres no Brasil.\u00a0<\/strong>2018. Dispon\u00edvel em: &lt;<a href=\"http:\/\/bit.ly\/3830ddE\">http:\/\/bit.ly\/3830ddE<\/a>&gt;. Acesso em: 05 fev. 2020.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>NEVES, M.A<strong>. Anota\u00e7\u00f5es sobre trabalho e g\u00eanero.<\/strong><em>\u00a0Cad. Pesqui<\/em>. 2013, vol.43, n.149, pp.404-421. ISSN 0100-1574.\u00a0\u00a0Dispon\u00edvel em: &lt;\u00a0http:\/\/dx.doi.org\/10.1590\/S0100-15742013000200003&gt;. Acesso em: 05 fev. 2020.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>OLIVEIRA, Gabriela Carraro.\u00a0<strong>Ativismo feminista digital:<\/strong>\u00a0<strong>an\u00e1lise das estrat\u00e9gias discursivas da\u00a0<em>hashtag<\/em>\u00a0#PrimeiroAss\u00e9dio.\u00a0<\/strong>60 f. TCC (Gradua\u00e7\u00e3o). Curso de Comunica\u00e7\u00e3o Social &#8211; Jornalismo, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2019.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>PERISS\u00c9, Camille; LOSCHI, Mar\u00edlia.\u00a0<strong>Trabalho &#8220;de mulher&#8221;.<\/strong>\u00a0Retratos: A revista do IBGE, Rio de Janeiro, p.19-24, jul.\/ago. 2019. Dispon\u00edvel em: &lt;http:\/\/bit.ly\/2SktOtq&gt;. Acesso em: 05 fev. 2020.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>RIANI, Juliana de Lucena Ruas et al.\u00a0<strong>Desigualdades de g\u00eanero no mercado de trabalho de Minas Gerais e suas regi\u00f5es de planejamento<\/strong>. In: XVI Semin\u00e1rio Sobre a Economia Mineira, 2014, Diamantina, MG.\u00a0Belo Horizonte: UFMG\/Cedeplar, 2014. Dispon\u00edvel em: &lt;<a href=\"http:\/\/bit.ly\/395ddPY\">http:\/\/bit.ly\/395ddPY<\/a>&gt;. Acesso em: 05 fev. 2020.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>SAFFIOTI, B.\u00a0<strong>Rearticulando g\u00eanero e classe social<\/strong>. In: OLVEIRA, A.; BRUSCINI, C. (Org.). Uma quest\u00e3o de g\u00eanero. Rio de Janeiro: Rosa dos Tempos; S\u00e3o Paulo: Funda\u00e7\u00e3o Carlos Chagas, 1992. p. 183-215. G\u00eanero, patriarcado, viol\u00eancia. S\u00e3o Paulo: Funda\u00e7\u00e3o Perseu Abramo, 2004. (Cole\u00e7\u00e3o Brasil Urgente).<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>SILVA, Joice de Souza Freitas et al.\u00a0<strong>Rela\u00e7\u00f5es de G\u00eanero no Mundo do Trabalho: um estudo com mulheres feirantes no interior da Bahia<\/strong>. In: XXXVIII Encontro da ANPAD, 2014, Rio de Janeiro. Anais. Dispon\u00edvel em: &lt;http:\/\/bit.ly\/2HmbzOk&gt;. Acesso em: 05 fev. 2020.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>SOLER, A.;\u00a0TEIXEIRA, Tania Cristina; JAIME, Vicente.<strong>\u00a0Discapacidad y Dependencia: Una perspectiva de g\u00e9nero<\/strong>. In: Bienestar y Democracia, 2008, Bilbao &#8211; Espanha. Bienestar y Democracia &#8211; XI Jornadas de Econom\u00eda Cr\u00edtica, 2008.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>TEIXEIRA, T. C.\u00a0<strong>Rela\u00e7\u00f5es de g\u00eanero e os desafios da igualdade e equidade no s\u00e9culo XXI<\/strong>\u00a0. PROEX-NUTRA. PUC-Minas. 2017. Documento Eletr\u00f4nico.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>TEIXEIRA,\u00a0T. C.\u00a0<strong>An\u00e1lisis Comparada de los Condicionantes de los Procesos de Flexibilizaci\u00f3n y Precarizaci\u00f3n en el contexto de la globalizaci\u00f3n<\/strong>. Un Estudio Comparativo del sector de las nuevas tecnolog\u00edas de la informaci\u00f3n y de la comunicaci\u00f3n en Espa\u00f1a y Brasil. Univerdidad de Valencia. Espana. 2014. Tesis Doctoral. RED RODERIC.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>TEIXEIRA, T. C.; Carvalho, M. A.\u00a0<strong>Economia Social e\/ou Solid\u00e1ria<\/strong>. In: Economia Social e\/ou Solid\u00e1ria, 2008, Belo Horizonte. Economia Social e\/ou Solid\u00e1ria. PUCMINAS, 2008. v. 1. p. 5-5.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>TEIXEIRA, T.C et. al.\u00a0<strong>The challenges for the construction of effective citizenship in the context of Human Capacity Development and Solidarity<\/strong>.\u00a0In: III Simp\u00f3sio Internacional. Trabalho, Rela\u00e7\u00f5es de Trabalho, Educa\u00e7\u00e3o e Identidade, 2010, Belo Horizonte. Trabalho, Rela\u00e7\u00f5es de Trabalho, Educa\u00e7\u00e3o e Identidade. BH: Universitaria, 2010. v. 1.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>TEIXEIRA, T.\u00a0C.; SILVEIRA, E. A.; SILVA, L. A. D. M.\u00a0<strong>Desafios da economia solid\u00e1ria, gest\u00e3o participativa e incuba\u00e7\u00e3o e a contribui\u00e7\u00e3o para a gera\u00e7\u00e3o de renda em tempos adversos<\/strong>. 8\u00ba Congresso Brasileiro de Extens\u00e3o Universit\u00e1ria. Anais 2018.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":1,"featured_media":10231,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6,9],"tags":[],"class_list":["post-10223","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigo","category-mulhereconomista"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/10223"}],"collection":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=10223"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/10223\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/10231"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=10223"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=10223"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=10223"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}