{"id":10211,"date":"2020-02-27T10:48:01","date_gmt":"2020-02-27T13:48:01","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cofecon.org.br\/?p=10211"},"modified":"2020-02-27T10:48:01","modified_gmt":"2020-02-27T13:48:01","slug":"artigo-reflexoes-sobre-a-pobreza-a-miserabilidade-como-fruto-de-multiplos-fatores","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=10211","title":{"rendered":"Artigo &#8211; Reflex\u00f5es sobre a pobreza: a miserabilidade como fruto de m\u00faltiplos fatores"},"content":{"rendered":"\n<p>Por Jakeline Zampieri &#8211; Graduada em Ci\u00eancias Econ\u00f4micas e em Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica pela Universidade Federal do Paran\u00e1, p\u00f3s-graduada em Gest\u00e3o em Finan\u00e7as e Controladoria, em Gest\u00e3o de Organiza\u00e7\u00f5es P\u00fablicas e em Gest\u00e3o P\u00fablica Municipal, atua no cargo de economista desde 2003. Autora do livro \u201cSanta Felicidade, mais que um bairro &#8211; como resgatar as virtudes culturais e tur\u00edsticas de uma regi\u00e3o\u201d, Editora Novas Edi\u00e7\u00f5es Acad\u00eamicas. <\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<div id=\"attachment_10212\" style=\"width: 360px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-10212\" class=\"wp-image-10212 size-full\" src=\"https:\/\/www.cofecon.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/pobrezaa.jpg\" alt=\"\" width=\"350\" height=\"250\" srcset=\"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/pobrezaa.jpg 350w, https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/pobrezaa-300x214.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 350px) 100vw, 350px\" \/><p id=\"caption-attachment-10212\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Cristiano Mariz<\/p><\/div>\n<p>Uma das coisas mais instigantes na humanidade \u00e9 a pobreza. Tida como priva\u00e7\u00e3o dos meios de subsist\u00eancia, ela permeia a hist\u00f3ria, as rela\u00e7\u00f5es no tempo e os sistemas de produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>A procura do motivo pelo qual uma popula\u00e7\u00e3o, ou um indiv\u00edduo, \u00e9 pobre e n\u00e3o consegue se sobressair \u00e9 absolutamente complexa. A complexidade est\u00e1 arraigada e tem origem em diversos fatores, diferentes e inerentes a cada regi\u00e3o do mundo, contudo, parecidos e repetidos em alguns casos.<\/p>\n<p>Crespo (2002) salienta que \u201cMuitos fatores convergem para tornar a pobreza um fen\u00f4meno multidimensional inter-relacionado. Isso significa que a pobreza e suas causas variam segundo a idade, g\u00eanero, cultura e outros contextos sociais e econ\u00f4micos.\u201d<\/p>\n<p>Antes de mais nada e para avan\u00e7ar na an\u00e1lise aqui pretendida, \u00e9 preciso definir o que \u00e9 pobreza.<\/p>\n<p>Em geral, a pobreza \u00e9 definida como a priva\u00e7\u00e3o do que se faz necess\u00e1rio para o bem-estar no aspecto material, notadamente alimenta\u00e7\u00e3o, vestimentas, habita\u00e7\u00e3o e demais ativos. Contudo, dentro do aspecto psicol\u00f3gico da pobreza, esta condi\u00e7\u00e3o social faz dos pobres elementos mais vulner\u00e1veis \u00e0 humilha\u00e7\u00e3o e mais distantes de todo tipo de participa\u00e7\u00e3o na sociedade. Passam por dificuldades para a obten\u00e7\u00e3o de atendimento m\u00e9dico, servi\u00e7os de infraestrutura (como, por exemplo, \u00e1gua tratada, fornecimento de energia el\u00e9trica), dente outros.<\/p>\n<p>Para Towsend (1996), pobres s\u00e3o os \u201cque n\u00e3o podem obter regime alimentar, confortos, padr\u00f5es e servi\u00e7os que lhes permitam desempenhar os pap\u00e9is, participar das rela\u00e7\u00f5es e ter o comportamento habitual que se espera\u201d deles como elementos que fazem parte da sociedade.<\/p>\n<p>E, ainda, a pobreza \u00e9 \u201crelativa\u201d ao se referir a \u00e0 posi\u00e7\u00e3o de uma fam\u00edlia ou de uma pessoa com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 renda ou ao consumo em determinado local, pa\u00eds ou regi\u00e3o. Ou seja, a pobreza \u00e9 identificada por meio de compara\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Assim, a pobreza est\u00e1 em permanente redefini\u00e7\u00e3o\u00a0no discurso p\u00fablico. (DALRYMPLE, 2016). Na entrevista que Dalrymple concedeu a Morgenstern, em 2016, ele destaca que o conceito de pobreza muda ao longo do tempo e diz que alguns tratam<\/p>\n<p><strong>\u201c<\/strong>a pobreza moderna como se fosse a mesma do s\u00e9culo XVIII, quando as pessoas estavam realmente passando fome. Mesmo nos tempos do meu pai, que nasceu em uma \u00e1rea pobre de Londres, havia crian\u00e7as sem sapatos, que n\u00e3o comiam mais do que uma vez por dia.\u201d<\/p>\n<p>Contudo, a pobreza \u00e9 um fen\u00f4meno complexo e de dif\u00edcil mensura\u00e7\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel, portanto, ser entend\u00ea-la apenas sob um enfoque quantitativo.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Discuss\u00f5es sobre as causas da pobreza<\/p>\n<p>Na vis\u00e3o de Wanderley (2004), em que pese o fato de pequenas varia\u00e7\u00f5es aqui e acol\u00e1, em que pese o fato de algum progresso no crescimento econ\u00f4mico e certas conquistas sociais, no geral as desigualdades e injusti\u00e7as na estrutura social v\u00e3o se avolumar devido \u00e0s rela\u00e7\u00f5es assim\u00e9tricas de domina\u00e7\u00e3o, subordina\u00e7\u00e3o na produ\u00e7\u00e3o, no poder pol\u00edtico, na estrutura de classe e na estratifica\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n<p>Myrdal (1968) fala na causa\u00e7\u00e3o circular da pobreza. Seu pensamento se baseia no fato de que quem nasce pobre ter\u00e1 uma alimenta\u00e7\u00e3o inadequada, frequentar\u00e1 as piores escolas, ter\u00e1 as piores oportunidades, processo que se repetir\u00e1 com seus filhos e assim por diante, gerando um c\u00edrculo que se retroalimenta e n\u00e3o oportuniza ascens\u00e3o ou melhora na condi\u00e7\u00e3o de vida dos indiv\u00edduos.<\/p>\n<p>Por vezes, as cr\u00edticas se fundamentam no capitalismo, nas quest\u00f5es financeiras, na falta de oportunidades de uma forma geral. Faz muito sentido, principalmente se s\u00f3 analisarmos a fase capitalista da hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>A inten\u00e7\u00e3o de manter as massas na mis\u00e9ria \u00e9 bastante antiga. Afinal, a massa serve como m\u00e3o de obra barata. Para isto, n\u00e3o deve desenvolver senso cr\u00edtico, n\u00e3o deve pensar, deve permanecer pacificamente em sua atividade laboral o m\u00e1ximo de horas di\u00e1rias e que lhe reste somente o tempo suficiente para descanso de forma a se manter viva e, em tempos capitalistas, consumir o que a m\u00eddia determina, utilizando seu minguado poder de compra e sua capacidade de endividamento. Trata-se de um sistema que gera escravos pela domina\u00e7\u00e3o, principalmente ideol\u00f3gica. E nisto reside a magia do capitalismo: fazer com que as pessoas pensem que s\u00e3o livres.<\/p>\n<p>Contudo, \u00e9 oportuno trazer \u00e0 an\u00e1lise o fato de que a pobreza e a miserabilidade existem muito antes do capitalismo. A vida sob condi\u00e7\u00f5es sub-humanas \u00e9 relatada at\u00e9 mesmo na b\u00edblia, ou ainda antes, na hist\u00f3ria da humanidade. A submiss\u00e3o\/explora\u00e7\u00e3o do homem pelo homem existe muito antes do sistema capitalista e se deu por diversas formas, algumas permeadas pela viol\u00eancia. Popula\u00e7\u00f5es j\u00e1 foram mantidas em condi\u00e7\u00f5es extremas de exist\u00eancia, com alimenta\u00e7\u00e3o prec\u00e1ria, opress\u00e3o constante, pouca ou nenhuma escolariza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Mas o que faz com que as pessoas se mantenham dominadas e conformadas, sem sequer buscar melhorar sua condi\u00e7\u00e3o? N\u00e3o se pretende aqui realizar um julgamento de valor, mas sim buscar raz\u00f5es para a falta de a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c9 conveniente destacar que n\u00e3o se inclui, nesta an\u00e1lise, quest\u00f5es conjunturais do sistema escravocrata, pela sua pr\u00f3pria natureza.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>A pobreza \u00e9 um fen\u00f4meno social<\/p>\n<p>Al\u00e9m da fome ou alimenta\u00e7\u00e3o inadequada ou insuficiente, a falta de escolaridade, a falta de moradia, ou moradia prec\u00e1ria (que n\u00e3o prov\u00ea o m\u00ednimo que um ser humano precisa para sua higiene e cuidados para uma sobreviv\u00eancia digna), falta de oportunidade, falta de trabalho, falta de conhecimento, a baixa autoestima, conformismo, op\u00e7\u00e3o por viver de aux\u00edlio, aus\u00eancia de est\u00edmulo, aus\u00eancia de ambi\u00e7\u00e3o, parece ser tamb\u00e9m um problema cultural que envolve a aceita\u00e7\u00e3o da condi\u00e7\u00e3o de pobre,\u00a0 pobreza de esp\u00edrito, falta de planejamento (principalmente familiar), aus\u00eancia de vis\u00e3o sobre o futuro, aus\u00eancia de percep\u00e7\u00e3o sobre o entorno (seu meio, a sociedade em que vive) e sobre possibilidades que esse entorno pode proporcionar.<\/p>\n<p>Grandes pensadores j\u00e1 falaram sobre a pobreza \u2013 de esp\u00edrito, a exemplo de Conf\u00facio: \u201cPessoas superiores exigem tudo de si. Pessoas inferiores exigem tudo dos outros.\u201d<\/p>\n<p>Samuel Johnson (apud. Garschagen, 2016) escreveu a biografia de seu amigo, o poeta Richard Savage:<\/p>\n<p>usou a vida do amigo como objeto para uma reflex\u00e3o moral e psicol\u00f3gica de forma a compreender como era poss\u00edvel algu\u00e9m perseverar no erro \u201csem atribuir nenhuma de suas mis\u00e9rias a si pr\u00f3prio\u201d, n\u00e3o crescer \u201cem sabedoria\u201d nem impedir \u201cque a um rev\u00e9s se seguisse outro\u201d. E que \u201cde bom grado afastava os olhos da raz\u00e3o quando ela poderia desvelar-lhe a ilus\u00e3o e iluminar aquilo que jamais desejava ver: seu verdadeiro estado\u201d.<\/p>\n<p>Theodore Dalrymple, a partir da observa\u00e7\u00e3o Johnson sobre Savage, analisa e reflete sobre a necessidade de supera\u00e7\u00e3o desse drama na vida humana, que se inicial a partir de um exame realista e honesto sobre si mesmo, ressaltando que isto \u00e9 desencorajado pela cultura moderna e pelas pol\u00edticas p\u00fablicas que alimentam o Estado do bem-estar social. Garschagen (2016)\u00a0 explica: \u201cAo estimularem a atribui\u00e7\u00e3o de todas as mis\u00e9rias aos outros\u201d, alerta Dalrymple, a cultura moderna e o Estado de bem-estar social \u201cacabam por exercer uma influ\u00eancia nefasta sobre o car\u00e1ter humano\u201d.<\/p>\n<p>O curioso \u00e9 que, mesmo que o Estado venha a prover um sustento m\u00ednimo e absolutamente b\u00e1sico para que as pessoas comecem a andar com suas pr\u00f3prias pernas, ainda assim alguns optam por se manter recebendo o baixo valor de assist\u00eancia e desistam de buscar uma coloca\u00e7\u00e3o no mercado de trabalho para usufruir da minguada renda que o Estado fornece.<\/p>\n<p>De acordo com Willian Douglas, existem estudos que mostram que, se toda a riqueza existente no mundo fosse dividida em partes iguais e distribu\u00eddas entre todas as pessoas, n\u00e3o demoraria muito tempo para que voltasse \u00e0s m\u00e3os de quem j\u00e1 a possui hoje. Douglas explica: \u201cEssas s\u00e3o as pessoas que sabem administrar as riquezas, e as obteriam de volta. Os que nunca aprenderam a lidar com o dinheiro perderiam o \u201cpresente\u201d sem muita demora.\u201d.<\/p>\n<p>H\u00e1 autores que est\u00e3o colocando a quest\u00e3o da pobreza a n\u00edvel gen\u00e9tico.<\/p>\n<p>Meyer (2019), no artigo <em>\u201c\u00bfSon mejores los genes de los ricos que los de los pobres?\u201d,<\/em> menciona a exist\u00eancia de estudos que demonstram diferen\u00e7as entre o comportamento de pessoas com escores gen\u00e9ticos baixos e pessoas com escores gen\u00e9ticos altos. Enquanto os primeiros \u201ceram mais propensos a relatar cren\u00e7as extremas sobre a economia, incluindo a probabilidade de um boom no mercado de a\u00e7\u00f5es ou uma recess\u00e3o grave&#8221; [&#8230;] \u201d Este comportamento, de acordo com Meyer, fez com que essas pessoas atrasassem seus investimentos e, portanto, demorassem mais para ter retorno, ou ainda, para acumular riqueza. E prossegue:<\/p>\n<p>Na mesma linha, outro estudo da Universidade de Edimburgo conclui que os genes &#8220;determinam a persist\u00eancia de cada um, bem como o autocontrole, duas pe\u00e7as-chave da personalidade para alcan\u00e7ar o sucesso&#8221;.<\/p>\n<p>Por seu turno, a jornalista Amelia Gonzalez (2014) informa na reportagem de sua autoria, denominada \u201cPesquisadores dos EUA mostram liga\u00e7\u00e3o entre calor e pobreza\u201d, que a revista brit\u00e2nica \u201cThe Economist\u201d apresentou um estudo de autoria de Melissa Dell, Benjamin Jones e Benjamin Olken no qual os autores fazem uma liga\u00e7\u00e3o direta entre calor e pobreza:<\/p>\n<p>Segundo os tr\u00eas pesquisadores norte-americanos, para cada 1\u00baC a mais num pa\u00eds, seu PIB per capita \u00e9 8,5% inferior. Outro estudo citado pela revista mostra que ser 1\u00baC mais quente reduz em 1,4% a renda per capita do PIB do pa\u00eds.<\/p>\n<p>De acordo com o texto, a rela\u00e7\u00e3o entre calor e pobreza pode ser associado ao fato de que temperaturas mais altas propiciam o aparecimento de doen\u00e7as tropicais, podem desencadear secas que dizimam lavouras \u2013 isto justamente em pa\u00edses que s\u00e3o mais dependentes da agricultura, ocasionam migra\u00e7\u00e3o de pessoas para as cidades maiores e \u201dcomo se sabe, quanto mais inchadas, mais problem\u00e1ticas ficam as cidades.\u201d (GONZALES, 2014).<\/p>\n<p>\u00c9 verdade que o frio gera encadeamentos produtivos e econ\u00f4micos pela necessidade de provisionar, de produzir itens que amenizem as agruras locais e viabilizem a exist\u00eancia humana naquela regi\u00e3o. Por exemplo, em lugares frios as pessoas precisam de mais aparatos tais como roupas mais quentes, sapatos, casas com calefa\u00e7\u00e3o, dentre outros itens. E isto, nos lugares frios, n\u00e3o se pode enquadrar como escolha: os bens s\u00e3o necess\u00e1rios. A produ\u00e7\u00e3o dos bens demanda mat\u00e9ria prima e trabalho, proporcionando a gera\u00e7\u00e3o de produtos secund\u00e1rios, como embalagens, subprodutos, etc. Oportuniza conhecimento, na medida em que h\u00e1 esfor\u00e7o para se produzir, para se descobrir formas de produ\u00e7\u00e3o que utilizem menos insumos, aumentando a produtividade.<\/p>\n<p>Lugares nos quais o clima \u00e9 mais quente e que exigem o m\u00ednimo de vestimentas, proporcionam alimentos que crescem praticamente sem o labor humano &#8211; tais como frutos tropicais, proporcionam a possibilidade de dormir ao relento porque a noite n\u00e3o requer abrigo, fazem com que n\u00e3o haja necessidade de muito esfor\u00e7o para viver e produzir, o que pode \u2018acostumar\u2019 as pessoas a uma vida mais despreocupada com as necessidades de subsist\u00eancia e pode haver menos preocupa\u00e7\u00e3o com o futuro, tendo em vista que n\u00e3o precisam provisionar nada para o \u2018inverno\u2019 ou tempos mais dif\u00edceis.<\/p>\n<p>Geralmente \u00e9 dos lugares onde h\u00e1 mais dificuldades que surgem as maiores solu\u00e7\u00f5es. Para exemplificar, a Inglaterra era um pa\u00eds miser\u00e1vel, repleta de rochedos e poucas \u00e1reas para produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola. Atrav\u00e9s da produ\u00e7\u00e3o de l\u00e3, com a cria\u00e7\u00e3o de carneiros nas \u00e1reas rochosas, surgiu a sa\u00edda econ\u00f4mica para a regi\u00e3o com base na produ\u00e7\u00e3o de tecidos, culminando com a Revolu\u00e7\u00e3o Industrial.<\/p>\n<p>Atendidas as necessidades fundamentais do ser humano, pode-se passar a fazer uma reflex\u00e3o sobre os entraves e os obst\u00e1culos que afetam as pessoas na busca por melhores condi\u00e7\u00f5es de vida.<\/p>\n<p>Obst\u00e1culos que afetam as pessoas na busca pela diminui\u00e7\u00e3o de seu estado de pobreza:<\/p>\n<p>&#8211; conformismo;<\/p>\n<p>&#8211; aceitar a condi\u00e7\u00e3o;<\/p>\n<p>&#8211; comodismo pelo n\u00e3o enfrentamento;<\/p>\n<p>&#8211; baixa escolaridade\/pouca instru\u00e7\u00e3o;<\/p>\n<p>&#8211; falta de vis\u00e3o;<\/p>\n<p>&#8211; pouca percep\u00e7\u00e3o;<\/p>\n<p>&#8211; falta de iniciativa na busca por oportunidades;<\/p>\n<p>&#8211; aus\u00eancia de metas;<\/p>\n<p>&#8211; baixa autoestima;<\/p>\n<p>&#8211; sentimento de derrota;<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Fatores que contribuem para a melhoria na qualidade de vida:<\/p>\n<p>&#8211; vontade;<\/p>\n<p>&#8211; energia;<\/p>\n<p>&#8211; determina\u00e7\u00e3o;<\/p>\n<p>&#8211; contesta\u00e7\u00e3o;<\/p>\n<p>&#8211; enxergar oportunidades;<\/p>\n<p>&#8211; percep\u00e7\u00e3o\/no\u00e7\u00e3o do todo;<\/p>\n<p>&#8211; perceber os caminhos\/meios;<\/p>\n<p>&#8211; enfrentar desafios;<\/p>\n<p>&#8211; autoinstru\u00e7\u00e3o\/aprendizado com as situa\u00e7\u00f5es;<\/p>\n<p>&#8211; motiva\u00e7\u00e3o;<\/p>\n<p>&#8211; metas;<\/p>\n<p>&#8211; persist\u00eancia;<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Algumas pessoas parecem completamente conformadas com as condi\u00e7\u00f5es de miserabilidade sob as quais vivem, aguardam que outros lhes deem o sustento, as provis\u00f5es e guarni\u00e7\u00f5es para que possam conduzir suas vidas com o m\u00ednimo. E se contentam com isto. Lhes parece suficiente ter o m\u00ednimo. N\u00e3o h\u00e1 ambi\u00e7\u00e3o, n\u00e3o h\u00e1 uma busca por crescimento, no seu mais amplo sentido. Viver, para estas pessoas, \u00e9 poder comer e ter o m\u00ednimo para sua subsist\u00eancia. Trata-se de uma passividade perante a vida, um conformismo. Dentro desta an\u00e1lise, \u00e9 preciso trabalhar valores, desenvolver a autoestima, proporcionar conhecimentos e despertar o desejo por uma vida melhor. Este \u00e9 um desafio muito grande, porque sugere a necessidade de mudan\u00e7a de comportamento de grupos, uma mudan\u00e7a de mentalidade e uma nova postura perante a vida.<\/p>\n<p>A realidade \u00e9 que cada um sabe \u2018onde aperta seu sapato\u2019 e quais as dificuldades que lhe atingem. Mas que cada qual buscasse, na medida do poss\u00edvel e dentro da sua realidade, encontrar uma vida melhor.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Considera\u00e7\u00f5es finais<\/p>\n<p>O que se pretendeu aqui foi tecer uma breve an\u00e1lise que incorpora diferentes concep\u00e7\u00f5es sobre as causas da pobreza, reunindo-as em uma \u00fanica abordagem.<\/p>\n<p>Sempre que pretendemos realizar uma leitura sobre o tema, tem-se a oportunidade de ler artigos, livros ou reportagens centrados em uma determinada causa para a pobreza, como por exemplo o capitalismo, ou raz\u00f5es ambientais, ou culturais de forma separada ou com significativa \u00eanfase em determinada prov\u00e1vel causa.<\/p>\n<p>Entretanto, sempre que pensarmos a pobreza como um fen\u00f4meno com causas de m\u00faltiplas dimens\u00f5es, se faz necess\u00e1ria uma abordagem que n\u00e3o se centre em uma \u00fanica causa, como um sistema de produ\u00e7\u00e3o, por exemplo, visto que se trata a pobreza \u00e9 um fen\u00f4meno social de causas multidimensionais.<\/p>\n<p>Partimos, inicialmente, da defini\u00e7\u00e3o \u2013 at\u00e9 mesmo simplificada \u2013 de pobreza, com a abordagem de que ela \u00e9 relativa e \u00e9 uma classifica\u00e7\u00e3o obtida por meio de compara\u00e7\u00f5es, sendo que o efetivo enquadramento a n\u00edvel de pobreza \u00e9 diferente no tempo, conforme discorrido no texto.<\/p>\n<p>Muito al\u00e9m das quest\u00f5es capitalistas, tivemos a oportunidade de refletir sobre comportamentos de pessoas que atribuem as causas de sua mis\u00e9ria aos outros e nada fazem para buscar uma melhoria na qualidade de vida, como se n\u00e3o lhes coubesse esta responsabilidade.<\/p>\n<p>Passamos para an\u00e1lise de pensamentos de autores, dentre os quais sobre a capacidade (ou incapacidade) de gerar riqueza e de administr\u00e1-las que indiv\u00edduos apresentam.<\/p>\n<p>Refletimos sobre o amparo que o Estado prov\u00ea, que sob a \u00f3tica de alguns autores, pode gerar pessoas mimadas e sem iniciativa para agir por si mesmas.<\/p>\n<p>Tivemos a oportunidade de refletir sobre a rela\u00e7\u00e3o entre pa\u00edses de clima quente e pobreza, incluindo na presente an\u00e1lise as considera\u00e7\u00f5es de autores sobre fatores gen\u00e9ticos, os quais determinariam qualidades fundamentais para alcan\u00e7ar o sucesso.<\/p>\n<p>Os itens elencados como causas merecem ser considerados na discuss\u00e3o sobre a pobreza, tendo eles &#8211; todos ou em parte, com as diferentes combina\u00e7\u00f5es e em variadas propor\u00e7\u00f5es \u2013 alguma participa\u00e7\u00e3o no estado de pobreza, pois ela n\u00e3o tem uma \u00fanica causa, sendo a mis\u00e9ria fruto de uma mir\u00edade de fatores.<\/p>\n<p>Analisamos, ainda, os obst\u00e1culos e os fatores que contribuem para uma melhoria na qualidade de vida de uma pessoa.<\/p>\n<p>E, diante de tudo isto, pode-se, sem medo de errar, dizer que mudar de vida requer &#8211; no m\u00ednimo &#8211; esfor\u00e7o, requer sair do conformismo, partir para a busca de dias melhores. Os est\u00edmulos para a supera\u00e7\u00e3o da pobreza podem ser externos, contudo precisam seguramente ser tamb\u00e9m internos.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Bibliografia<\/p>\n<p>CONF\u00daCIO. Frase. Dispon\u00edvel em &lt;<a href=\"https:\/\/www.pensador.com\/frase\/MjgyMw\/\">https:\/\/www.pensador.com\/frase\/MjgyMw\/<\/a>&gt; Acesso em 02\/02\/2020.<\/p>\n<p>CRESPO, A. P. A; GUROVITZ, E. <strong>A pobreza como um fen\u00f4meno multidimensional<\/strong>.\u00a0 RAE-eletr\u00f4nica, Volume 1, N\u00famero 2, jul-dez\/2002. Dispon\u00edvel em \u00a0&lt;<a href=\"http:\/\/www.rae.com.br\/eletronica\/index.cfm?FuseAction=Artigo&amp;ID=1178&amp;Secao=P\u00daBLICA&amp;Volume=1&amp;Numero=2&amp;\">http:\/\/www.rae.com.br\/eletronica\/index.cfm?FuseAction=Artigo&amp;ID=1178&amp;Secao=P\u00daBLICA&amp;Volume=1&amp;Numero=2&amp;<\/a>&gt; Acesso em 01\/02\/2020.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>DOUGLAS, W; TEIXEIRA, R. <strong>As 25 leis b\u00edblicas do sucesso<\/strong>: como usar a sabedoria da B\u00edblia para transformar sua carreira e seus neg\u00f3cios. Rio de Janeiro. Editora Sextante. Dispon\u00edvel em &lt;<a href=\"http:\/\/williamdouglas.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/Trecho-25-Leis-B%C3%ADblicas.pdf\">http:\/\/williamdouglas.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/Trecho-25-Leis-B%C3%ADblicas.pdf<\/a>&gt; Acesso em 29\/01\/2020.\u00a0\u00a0<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Equipe Brasil Escola. <strong>As classes Sociais e as desigualdades<\/strong>. Monografias Brasil Escola. 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Em: CASTEL, Robert; WANDERLEY, Luiz<\/p>\n<p>Eduardo W.; BELFIORE-WANDERLEY, Mariangela. <strong>Desigualdade e a quest\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p><strong>social<\/strong><em>, <\/em>2\u00aa ed., S\u00e3o Paulo, Educ, 2004. p. 163-264.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":1,"featured_media":10212,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-10211","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/10211"}],"collection":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=10211"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/10211\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/10212"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=10211"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=10211"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=10211"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}