{"id":10092,"date":"2020-02-03T13:07:18","date_gmt":"2020-02-03T16:07:18","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cofecon.org.br\/?p=10092"},"modified":"2020-02-03T13:07:18","modified_gmt":"2020-02-03T16:07:18","slug":"artigo-economia-verdolenga","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=10092","title":{"rendered":"Artigo &#8211; Economia verdolenga"},"content":{"rendered":"\n<p>Bons mesmo foram os tempos em que minhas preocupa\u00e7\u00f5es eram voltadas para os afazeres da escola, ajudar a m\u00e3e com algo da casa e compras no com\u00e9rcio pr\u00f3ximo, e as brincadeiras nos quintais, beira de rio e jogo de bola.<\/p>\n<p>Dessas brincadeiras, uma das boas era a \u00e9poca da manga, quando parec\u00edamos periquitos na copa das \u00e1rvores, e quem estava embaixo tomava cascas ou caro\u00e7os de mangas perpitolas (maduras) na cabe\u00e7a.<\/p>\n<p>Duro era quando tinha algu\u00e9m embaixo e estava &#8220;armado&#8221; de funda ou pelote e mandava ch\u00e3o-acima as peloteadas. Quem estava em cima tinha que pedir mil perd\u00f5es, sen\u00e3o a peloteada n\u00e3o parava, mas, por sorte, os galhos das \u00e1rvores atrapalhavam o peloteador.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de apreciar as &#8220;perpitolas&#8221;, \u00a0peg\u00e1vamos algumas de vez, verdolengas, e deix\u00e1vamos de um \u00e0 tr\u00eas dias enroladas em folhas de jornais usados dentro da lata de arroz ou feij\u00e3o, para amadurecer.<\/p>\n<p>&#8220;O tempo bom que n\u00e3o volta mais&#8221;, onde nossa turmada, em pseud\u00f4nimos livres, sem complexos e sem rancor, era composta por: b\u00f3di, tarantula, cyborg, zumbi, coqueiro, muga, macal\u00e9, cabe\u00e7\u00e3o (in memoriam), jacar\u00e9, macaco, piquirinha, ca\u00e7apa, porco, esqueleto, gat\u00e3o, dentre outros. \u00c9ramos uma uni\u00e3o s\u00f3; dificilmente ocorria uma rusgazinha.\u00a0Hoje todos com curso superior e na ativa do trabalho formal desde os 17 a 19 anos. Tudo isso, como tenho dito, l\u00e1 no meu saudoso bairro do Porto.\u00a0\u00a0<\/p>\n<p>O tempo passa e as preocupa\u00e7\u00f5es e responsabilidades outras surgem.\u00a0Enveredei-me pelo estudo e labuta com a economia, que requer constantes e frequentes estudos.<\/p>\n<p>Assim, procurarei neste retalho econ\u00f4mico responder a algumas indaga\u00e7\u00f5es, a saber: Numa economia de mercado, como a nossa, qual o papel da economia p\u00fablica? Como retomar o crescimento econ\u00f4mico? Por qu\u00ea nossa economia encontra-se com baixas taxas de crescimento?<\/p>\n<p>Antecedendo as tentativas de respostas a estas indaga\u00e7\u00f5es que procurarei mencionar ao longo deste retalho, vale dizer, comparativamente, que nas chamadas economias maduras, Jap\u00e3o, EUA, Alemanha, Fran\u00e7a, dentre outras, as taxas de crescimento s\u00e3o relativamente baixas, \u00a0devido essas mesmas economias terem alcan\u00e7ado o estado estacion\u00e1rio.<\/p>\n<p>Contrariamente, a China encontra-se num firme objetivo de alcan\u00e7ar o est\u00e1gio dessas economias, assim como o Brasil, pois somos emergentes em vias de desenvolvimento, economias verdolengas (mas n\u00e3o confundir crescimento com desenvolvimento). Neste est\u00e1gio em vias de desenvolvimento, as taxas de crescimento encontram-se em torno de 1% a 6,5%, respectivamente, exatamente pelo fato que estas economias ainda n\u00e3o alcan\u00e7aram seu est\u00e1gio estacion\u00e1rio.<\/p>\n<p>Estado ou est\u00e1gio estacion\u00e1rio \u00e9 quando determinada economia alcan\u00e7a n\u00edveis de necessidades materiais da popula\u00e7\u00e3o superadas, de acordo com a vis\u00e3o dos economistas cl\u00e1ssicos (G. CORAZZA, 1991), assim como nas economias maduras aqui referidas, que anos depois, s\u00e9culo 20, J. M. Keynes, veio chamar de economia em pleno emprego (utiliza\u00e7\u00e3o) dos recursos efetivamente dispon\u00edveis, que proporciona uma discuss\u00e3o nas finan\u00e7as p\u00fablicas sobre a pr\u00e1tica ou n\u00e3o de d\u00e9ficit nos or\u00e7amentos p\u00fablicos com a devida cautela sobre as taxas marginais de tributos.<\/p>\n<p>Verdade que algu\u00e9m pode inferir que o caso brasileiro \u00e9 de est\u00e1gio estacion\u00e1rio, no m\u00ednimo, let\u00e1rgico ou estagnado.<\/p>\n<p>Concordemos em partes, porque desde 2014 vivemos taxas de crescimento insuficientes para atender as necessidades do crescimento demogr\u00e1fico e do progresso t\u00e9cnico.<\/p>\n<p>A esse respeito, acumula\u00e7\u00e3o de capital \u00e9 fundamental para o alcance do est\u00e1gio estacion\u00e1rio e desenvolvimento econ\u00f4mico e para nos tornarmos uma economia madura.<\/p>\n<p>Em consequ\u00eancia, precisamos ir al\u00e9m de 2 a 2,5% de taxas de crescimento, no caso brasileiro, mesmo porque, temos uma economia p\u00fablica que representa, grosso modo, 50% do produto interno bruto no \u00e2mbito da esfera federal. Em Mato Grosso esses n\u00fameros tangenciam 20 \u00e0 25% do PIB.<\/p>\n<p>Esse \u00e9 o ponto: como a economia p\u00fablica ou finan\u00e7as p\u00fablicas podem contribuir nesse processo de retomada do crescimento e desenvolvimento?<\/p>\n<p>Num breve hist\u00f3rico evolutivo, a partir de 1930, a economia brasileira passou pelo processo de transforma\u00e7\u00e3o estrutural produtivo, quando o Estado agiu por cima do mercado e implantou uma grande estrutura industrial no Brasil, contudo, sem esquecermos do processo aut\u00f4nomo de industrializa\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria no estado de S\u00e3o Paulo, oriundo da acumula\u00e7\u00e3o da economia cafeeira.<\/p>\n<p>Isso tudo foi custoso e gerou uma forte depend\u00eancia de recursos por parte do setor privado para continuidade do processo, pois a industrializa\u00e7\u00e3o brasileira \u00e9 um processo dado; entretanto, acumula\u00e7\u00e3o de capital n\u00e3o pode estar aqu\u00e9m da manuten\u00e7\u00e3o e da taxa de deprecia\u00e7\u00e3o da estrutura produtiva, quando se tratar de investimentos l\u00edquidos.<\/p>\n<p>Por tudo isso, n\u00e3o vejo mais necessidade do Estado brasileiro intencionar liderar processo de crescimento e desenvolvimento, o que n\u00e3o significa que sua participa\u00e7\u00e3o seja in\u00f3cua ou desnecess\u00e1ria.<\/p>\n<p>O ponto-relevante ser\u00e1 a continuidade das reformas e privatiza\u00e7\u00f5es dos dias atuais, negadas desde o Plano Real, n\u00e3o nos esque\u00e7amos disso, para que nesta nova fase de a\u00e7\u00e3o o Estado brasileiro e sub-nacionais promovam a\u00e7\u00f5es para proporcionar ambiente para os neg\u00f3cios irem al\u00e9m do seu ponto de equil\u00edbrio econ\u00f4mico-financeiro, inclusive, promovendo grandes obras (ferrovias) e servi\u00e7os (fortalecimento do capital intelectual humano) de interesse coletivo, visando melhorias na produtividade e distribui\u00e7\u00e3o de renda.\u00a0<\/p>\n<p>Caso haja necessidade do intervencionismo estatal\u00a0 ou verde, h\u00e1 ser de maneira t\u00e1cita, t\u00e1tica e tempor\u00e1ria para atender interesses nacionais estrat\u00e9gicos no sentido de constru\u00e7\u00e3o da Na\u00e7\u00e3o, pois, todo pa\u00eds tem esse sentimento de corpo, principalmente em pa\u00edses onde exista uma elite inteligente e respons\u00e1vel. A prop\u00f3sito, vejam a Inglaterra consolidando sua sa\u00edda da Zona do Euro, em evento que ficou conhecido como BREXIT.<\/p>\n<p>Em s\u00edntese, numa economia verdolenga, urge que busquemos e alcancemos: taxa de renda per capita elevada (em torno de 30 mil US$), consolidemos nossas institui\u00e7\u00f5es e tenhamos capacidade de apropriabilidade e cria\u00e7\u00e3o do progresso t\u00e9cnico, pois estas tamb\u00e9m s\u00e3o caracter\u00edsticas das economias maduras ou desenvolvidas, que foram al\u00e9m da economia pol\u00edtica, mas, trilharam os detalhes da Ci\u00eancia Econ\u00f4mica.<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>Ernani L\u00facio Pinto de Souza, 57, cuiabano, economista do NIEPE\/FE\/UFMT, ms. em planejamento do desenvolvimento pela ANPEC\/NAEA\/UFPA. Foi vice-presidente do CORECON-MT.(elpz@uol.com.br)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":1,"featured_media":10093,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-10092","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/10092"}],"collection":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=10092"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/10092\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/10093"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=10092"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=10092"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=10092"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}