Maximo Porto Seleme fala sobre a função do economista na Defesa Civil

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viagra approved geneva; font-size: 10pt;">maximo portoO economista cheap geneva; font-size: 10pt;">Maximo Porto Seleme é gsales geneva; font-size: 10pt;">raduado em Ciências Econômicas pela Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC e mestre em administração pela Universidade do Estado de Santa Catarina – UDESC. Já exerceu cargos como o de gerente regional da empresa Telecomunicações de Santa Catarina – TELESC, diretor comercial da Pactum Consultoria, diretor financeiro do Grupo Jaime Aleixo e professor do Programa ESAG Sênior e do Sexto Termo de Administração, ambos na UDESC.

Entre 2006 e 2009, Seleme foi secretário municipal adjunto da Secretaria de Segurança e Defesa do Cidadão de Florianópolis, e atualmente é diretor da Defesa Civil Municipal. Em entrevista concedida à revista Economistas, ele fala de sua atuação nesta área caracteristicamente social, fazendo uma análise a respeito do seu alinhamento com a economia e delineando o papel que cabe ao economista no contexto da Defesa Civil.

ECONOMISTAS: Como foi a sua entrada na Defesa Civil?

MAXIMO PORTO SELEME: Quando fomos convidados pelo Secretário de Segurança para trabalhar na Secretaria, em 2006, foi para fazer uma reestruturação, uma reorganização de todas as áreas. Nela temos a Guarda Municipal, o Procon municipal e a Defesa Civil municipal. Fizemos a reestruturação, dando uma nova dinâmica à Defesa Civil e, posteriormente, assumindo a diretoria. Fizemos um trabalho de treinamento, de expansão,organização e planejamento. Tínhamos uma Defesa Civil que era inexpressiva em Florianópolis e hoje somos a terceira melhor estruturada do estado.

RE: Qual é a função de um economista na Defesa Civil?

Seleme: A Defesa Civil precisa de muito planejamento, estruturação e de um cronograma econômico e financeiro de ação, porque a verba é curta e ela precisa ser bem objetivada, bem aplicada. Necessita também de uma visão macroeconômica, porque a defesa civil atende os vários segmentos da sociedade. Para estar no comando é preciso ter uma visão sistêmica, porque você acaba atendendo desde a pessoa mais simples, de baixa renda, até o maior empresário, já que todos eles estão sujeitos às catástrofes.

RE: Como foi esta reestruturação feita na Defesa Civil?

Seleme: Primeiro tivemos que ter uma visão do nosso negócio. O que é a Defesa Civil, qual o objetivo dela, quais as áreas de atuação. Em segundo lugar tivemos que nos questionar a respeito das nossas dificuldades, dos nossos pontos fracos.

RE: É a matriz SWOT? (sigla em inglês que designa Forças, Fraquezas, Oportunidades e Ameaças).

Seleme: Exatamente. Depois disso fomos ver quem eram nossos parceiros e onde poderíamos buscar auxílio além do poder público e como poderíamos trabalhar isso dentro da comunidade. Criamos grupos de voluntários, aos quais nós demos o nome de NUDECs, Núcleos de Defesa Civil. Contamos com 40 voluntários já formados que podem ter ação imediata. Contamos ainda com o Corpo de Bombeiros Comunitários, que é formado por civis, e com o Corpo de Bombeiros, que realmente é o nosso braço forte de apoio.

RE: Como funcionam os NUDECs?

Seleme: Nos NUDECs nós treinamos de 30 a 50 voluntários em cada comunidade do município. Este projeto vai ser levado à Defesa Civil Nacional para ser implantado em municípios que não têm condição de ter uma Defesa Civil permanente. Nós temos hoje em torno de 200 voluntários, porque também nós contamos como corpo de voluntários a Guarda Municipal de Florianópolis (SC), e assim como no estado a PM compõe a defesa civil, no município a GM também compõe a defesa civil.

RE: Qual é o papel do economista no momento em que a catástrofe acontece?

Seleme: Nessa hora ele tem que fazer o gerenciamento da crise. Primeiro, pela própria formação, ele tem que ter determinação à ação. Tem que ter a atitude de começar os trabalhos. Determinar quem vai fazer o quê, de maneira que o serviço possa fluir. No momento em que acontece a catástrofe as pessoas estão muito sensibilizadas, então é preciso ter discernimento e equilíbrio para poder coordenar pessoas, determinar quais são os objetivos primários de atendimento e dar ordem ao caos. A maioria das pessoas, quando está em pânico, não sabe o que fazer, precisa de alguém com cabeça fria para dar esta coordenação, alguém que possa ter uma visão geral do problema, uma visão macro e determinar que as várias peças de atuação cumpram seu papel para que no final elas possam atingir o objetivo que é o restabelecimento da ordem.

RE: No ano de 2008 o estado de Santa Catarina foi atingido por fortes chuvas que causaram enchentes e tragédias, principalmente na região do Vale do Itajaí. Como foi a sua participação neste momento?

MPS: Nós atendemos Florianópolis. Tivemos situações bastante críticas de escorregamento de barreiras, interditando estradas, morros que deslizaram com casas em cima (como no Rio de Janeiro). A Defesa Civil estadual deu atendimento aos demais municípios, por isso concentramos a nossa atenção em Florianópolis. O nosso corpo de voluntários em 2008 chegou a 250 pessoas, direta ou indiretamente trabalhando com o problema. Tivemos ajuda do pessoal da geologia, engenharia, enfermagem, medicina, todas as áreas, montamos um centro de comando dentro da defesa civil municipal e graças a Deus conseguimos atender todas as demandas prioritárias. Tivemos apenas um óbito e conseguimos dar um atendimento imediato em abrigos, com apoio da Secretaria de Saúde, de Educação, de Assistência Social, de Obras. É importante ressaltar uma coisa: num momento da crise, do evento climático, a defesa civil passa a ser o órgão gerenciador do município com relação aos serviços pertinentes ao evento ocorrido. Então naquele período que o prefeito decreta emergência, a coordenação do serviço passa a ser da defesa civil.

RE: Como o Economista pode atuar na área de prevenção de catástrofes?

Seleme: Fizemos um planejamento. Demarcamos as áreas de risco que existem na cidade e estamos encaminhando este trabalho às Secretarias de Obras e Habitação para que essas áreas sejam desocupadas. Fizemos um planejamento sócio-econômico. Normalmente nestas áreas tem uma população de baixa renda e esta população precisa ser realojada e realocada, então nós nos reunimos com as Secretarias de Assistência Social, Habitação e Obras pra ver como remanejar estas pessoas, porque uma família deslocada do seu bairro do seu local de origem e realocada em outra área é praticamente um recomeço de vida. Tem toda uma parte social envolvida, onde os filhos vão estudar, onde vai ser o atendimento de saúde dessa família, onde o pai trabalha, como vai ser o deslocamento. Esta é uma visão que a gente leva da economia para a defesa civil na hora de formatar o planejamento. A pessoa é retirada, porque é uma questão de risco. A defesa civil tem esta autoridade para deslocar esta pessoa, e mesmo que ela não queira, nós temos o convencimento até para proteger os familiares dela. Às vezes um pai não quer tirar as crianças de lá, mas tem que tirar, o Estado não pode deixar que elas se coloquem em uma situação de risco. Existe a questão da concentração de população, e a concentração da população de baixa renda é nas áreas de risco. Ninguém quer morar na área de alto risco, mas as questões sociais levam as pessoas a ocupar aquelas áreas. Eu penso que assim como deveria haver a lei de responsabilidade
fiscal, deveria haver uma lei de responsabilidade social, porque normalmente municípios de menor renda tendem a encaminhar seus munícipes-problemas para a capital. O próprio prefeito de alguns municípios encaminha as pessoas para Florianópolis, gente até de outros estados, e temos recebido pessoas de baixa renda que vêm de ônibus, e que a prefeitura manda material para sua alocação.

RE: O seu trabalho na Defesa Civil foi coroado com a indicação para o Conselho Nacional de Defesa Civil.

MPS: Fui indicado pelo prefeito para representar Santa Catarina no Conselho Nacional de Defesa Civil. Nós tivemos um trabalho exitoso. Da época em que assumi até os dias de hoje não recebi nenhuma crítica ao trabalho da defesa civil, nós recebemos inclusive apoio do Ministério Público Federal e Estadual pelo trabalho lá desenvolvido. Contamos com uma equipe que é basicamente da Guarda Municipal de Florianópolis com treinamento de bombeiro comunitário feito pelo Corpo de Bombeiros de Santa Catarina. Inclusive nós temos um agente de defesa civil que foi convidado pela ONU a representar o estado num trabalho que foi feito na República Dominicana, para ver o grau de formação que tem o nosso pessoal. Então, na verdade, o economista está comandando uma equipe de alto nível.

Escrito por Manoel Castanho